segunda-feira, 7 de julho de 2008

O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. (Lya Luft)


Eu estava fuçando em uns blogs alheios e vi esta citação da Lya Luft.
Bom, nem preciso dizer que gostei né (Eu gostei!), e isto me lembrou um livro que eu li dela - aliás, o único livro que eu já li dela: A Asa Esquerda do Anjo.
Eu o li há muitos anos atrás, eu estava no terceiro ano, mas ele me marcou bastante... Adorei-o, foi um dos livros que eu mais gostei de ler.
Ela mostra uma incrível sensibilidade ao tratar de uma personagem que não sabe sequer se ela é Gisela ou Guisela; uma personagem que não consegue se sentir uma, um único ser; uma personagem que não se sente digna do dom da vida.
Ela delicadamente fala de um conflito que as pessoas costumam ter em alguma parte da vida: não saber se ela é quem ela acha que é, ou se ela é quem as pessoas acham que ela é; ou ainda se ela não é nenhuma dessas duas, e sim uma mistura híbrida de tudo aquilo (e aqueles) que ela ama com o que ela odeia... E por não saber nada disto, também não consegue saber quem quer ser, não é capaz de definir seus sentimentos em relação ao mundo, às pessoas e a si mesma, e não pode imaginar um futuro. Ela se encontra à beira da tênue linha que separa o concreto do imaginário, o real do ilusório, a vida da morte.

Resumindo: é um romance bem psicológico de uma garota perdida em sua própria existência.

(Belíssimo.)

sábado, 5 de julho de 2008

"Até as flores tem seu dia de sorte,
Umas enfeitam a vida e outras a morte."

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Kundera, mais uma vez

"Era uma vez (E é ainda) certo país (E é ainda)
Onde os animais Eram tratados como bestas (São ainda, são ainda)"

Bicharada (Os Saltimbancos) - Chico Buarque


Que dia lindo!!!
Encontrei O Livro do Riso e do Esquecimento por R$10 em um sebo!!!

Um fragmento deste livro belíssimo:
(Situando antes a historia: tem uma personagem, Tamina, que vai parar em uma ilha onde só vivem crianças; lembrei na hora de O Senhor das Moscas, com a diferença de que nesta ilha todas elas vivem em harmonia. Acontece que Tamina não é criança; é uma mulher.
Logo, há um sentimento de rejeição por parte destas, e elas começam a maltratar Tamina.)


"Porque essas crianças são más?
Ora, elas não são más de modo algum. Ao contrário, têm bom coração e não param de dar umas às outras provas de amizade. Nenhuma delas quer Tamina só para si. Ouve-se a todo instante seus
olhe, olhe. Tamina está presa nas redes emaranhadas, as cordas lhe esfolam a pele, e as crianças mostram umas às outras o sangue dela, suas lágrimas e suas caretas de dor. Elas a oferecem generosamente umas às outras. Ela se tornou o cimento da fraternidade delas.
Sua infelicidade não deriva do fato de que as crianças sejam más, mas de ela encontrar-se além da fronteira do mundo delas. O homem não se revolta porque se matam bezerros nos abatedouros. O bezerro está fora da lei para o homem, assim como Tamina está fora da lei para as crianças.
Se há alguém que está cheio de uma raiva amarga, é Tamina, e não as crianças. O desejo que elas sentem de fazer o mal é um desejo positivo e alegre, e pode-se com razão chamá-lo de alegria. Se elas desejam maltratar aquele que se encontra além da fronteira do mundo delas, é unicamente para exaltar seu próprio mundo e sua lei."