terça-feira, 8 de julho de 2008

Fragmentos de Werther

“Ela me é sagrada. Todo desejo emudece em sua presença. Não sei o que sinto quando estou junto dela; é como se toda a minha alma estivesse subvertida...”


“Pobre homem insensato, que julgas todas as coisas pequenas, por que és, também, tão pequeno?”



“A coisa mais certa deste mundo é que o afeto, somente, torna o homem necessário.”


“Podes tu afirmar: ‘ isto existe! ’, quando tudo passa, rola e desaparece como um clarão; quando raramente a existência de um ser se prolonga até o esgotamento total de suas forças; quando, ai de mim, absorvido pela corrente, esse mesmo ser vai quebrar-se contra os rochedos? Não há um momento que não devore a ti e aos teus; não há um só instante em que tu não destruas, não sejas forçado a destruir. O teu passeio mais inocente custa a vida de centenas de pobres vermezinhos. Com uma passada, tu deitas abaixo os edifícios penosamente erigidos pelas formigas, e fechas de modo ignominioso a tumba sobre todo um pequeno universo... Ah! As grandes e raras calamidades deste mundo, as inundações que arrasam as nossas aldeias, os tremores de terra que engolem as nossas cidades, nada disso me comove; o que me dilacera o coração é esta força destruidora oculta em toda a natureza, esta força que nada cria senão para destruir-se e destruir o que cerca ao mesmo tempo. Assim prossigo eu, vacilante e o coração opresso, entre o céu e a terra com as suas forças sempre ativas, e nada mais vejo senão um monstro que devora eternamente todas as coisas, fazendo-as depois reaparecer, para de novo devora-las.”

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. (Lya Luft)


Eu estava fuçando em uns blogs alheios e vi esta citação da Lya Luft.
Bom, nem preciso dizer que gostei né (Eu gostei!), e isto me lembrou um livro que eu li dela - aliás, o único livro que eu já li dela: A Asa Esquerda do Anjo.
Eu o li há muitos anos atrás, eu estava no terceiro ano, mas ele me marcou bastante... Adorei-o, foi um dos livros que eu mais gostei de ler.
Ela mostra uma incrível sensibilidade ao tratar de uma personagem que não sabe sequer se ela é Gisela ou Guisela; uma personagem que não consegue se sentir uma, um único ser; uma personagem que não se sente digna do dom da vida.
Ela delicadamente fala de um conflito que as pessoas costumam ter em alguma parte da vida: não saber se ela é quem ela acha que é, ou se ela é quem as pessoas acham que ela é; ou ainda se ela não é nenhuma dessas duas, e sim uma mistura híbrida de tudo aquilo (e aqueles) que ela ama com o que ela odeia... E por não saber nada disto, também não consegue saber quem quer ser, não é capaz de definir seus sentimentos em relação ao mundo, às pessoas e a si mesma, e não pode imaginar um futuro. Ela se encontra à beira da tênue linha que separa o concreto do imaginário, o real do ilusório, a vida da morte.

Resumindo: é um romance bem psicológico de uma garota perdida em sua própria existência.

(Belíssimo.)

sábado, 5 de julho de 2008

"Até as flores tem seu dia de sorte,
Umas enfeitam a vida e outras a morte."