domingo, 7 de dezembro de 2008

Momento num Café

Esse poema caiu hoje na segunda fase do vestibular. Questãozinha foda; aliás, todas as questões estavam muito bem elaboradas, curtinhas e foda. Neste poema pedia pra analisar as as duas visões da vida expostas. Muito filosófico, eu achei...
Enfim, não vou me prolongar. Tô morrendo de dor de cabeça e cansada, e ainda tenho cinco provas essa semana. Sexta eu posto, prometo!


Momento num Café - Manuel Bandeira

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida.
Confiantes na vida.


Um no entanto se descobriu num gesto longo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Poema de Natal (Vinícius de Moraes)

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixam, graves e simples.

Pois para isso somos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Um ComTato (Extromodos)

Sei lá, olha o tempo que eu quis cantar você

Olha o canto que eu fiz com tempo, eu sei

Tanto tempo
Sobra todo o tempo que eu fiz parar pra ver
Quanto homem morto dentro
Não por fraco / pensamento mal calado
E agora espero todo o tempo não calado

Faço ainda um contato / ainda volto pro normal
Ainda te quero muito tempo ao meu lado
Engulo o choro, amargurado
Só espero que você esteja melhor que eu

Quanto tempo faz? lembro de você
Coisas de criança / quantas mágoas não fizemos nos sofás daqui